Teste deve ser realizado ainda na maternidade
A lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva já foi publicada no Diário Oficial da União obrigando as maternidades a fazer o exame grátis nos bebês.
Em Sergipe, muitos pais ainda desconhecem a importância do Exame de Emissão Otoacústicas Evocadas, o chamado Teste da Orelhinha que deve ser feito nos bebês a exemplo do Teste do Pezinho. Agora ficou mais fácil saber se os recém-nascidos estão escutando normalmente. Antes quem não tinha plano de saúde, pagava pelo exame, mas desde o último dia 3 de agosto, hospitais e maternidades estão obrigados a fazer o Teste da Orelhinha, gratuitamente em todos os bebês que nascerem em suas dependências.
A lei sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva foi publicada no Diário Oficial da União do último dia 3 de agosto e vem sendo muito comemorada entre os especialistas sergipanos, a exemplo da fonoaudióloga Sulamita Chagas. Isso porque um em cada 100 recém nascidos apresenta perda auditiva.
“Essa perda pode ser diagnosticada precocemente com o Teste da Orelhinha. É importante que os pais não deixem de fazer o exame solicitado pelo pediatra, o que denominamos passa-falha visando verificar se realmente o bebê está escutando”, entende a fonoaudióloga lembrando que o bebê começa a ouvir a partir do quinto mês de gestação, daí a importância de os pais conversarem.
Ela destaca que entre as principais causas para a perda de audição nos bebês, estão a intervenção em UTI por mais de 48 horas, histórico familiar, infecção congênita [rubéola, sífilis, toxoplasmose, citomegalovirus]. Isso além de anormalidades craniofaciais [fissura, má formação de pavilhão auricular], meningite bacteriana, icterícia, medicamentos ototóxicos e peso menor de um quilo e 500 gramas.
Muitos pais desinformados chegam para a realização do teste, um tanto quanto assustados, principalmente porque os bebês precisam estar dormindo no momento do exame. Mas, de acordo com a drª Sulamita, ninguém precisa temer. “O exame é feito em 10 minutos e o resultado sai na hora. O bebê deve estar dormindo para não ficar se mexendo e com isso se tenha maior precisão no resultado. Os pais não precisam ficar preocupados. O Teste da Orelhinha é indolor”, tranqüiliza a fonoaudióloga.
Ela explica que é colocado uma pequena sonda no ouvido [como se fosse um fone] acoplado ao computador, que recebe o som, emitindo intensidade e captando a resposta das células. Se a resposta falhar, a criança deve retornar em um prazo máximo de 30 dias para ser reavaliado. “Às vezes, o bebê está gripado, com resíduos de líquido amniótico ou com alguma inflamação no ouvido, a exemplo de otite, mas a resposta pode falhar por problemas mais sérios”, enfatiza.
Diagnóstico Precoce
Somente quando esse som captado do ouvido falha pela segunda vez, é que o profissional [fonoaudiólogo ou otorrinolaringologista] pode solicitar o que classifica de Bera, que trata-se de um exame mais específico, mais completo.
“Nesse caso o bebê precisa estar em sedação e precisa de toda uma preparação com anestesista”, enfatiza a fonoaudióloga lembrando que quando a perda auditiva é diagnosticada precocemente, o paciente é tratado com mais rapidez, tanto por meio do uso de aparelho auricular, quanto por meio do implante, fazendo com que crianças com perda auditiva se desenvolvam normalmente, caso o problema tenha sido diagnosticado precocemente.
Diagnóstico tardio
O exame também é feito em crianças maiores, adolescentes e adultos visando verificar se a audição periférica está normal. A importância de se fazer em recém-nascido é justamente por conta do diagnóstico precoce, ou seja, quanto mais rápido for detectada alguma irregularidade, mais rápido será o início do tratamento.
O principal problema do diagnóstico tardio é o desenvolvimento da fala e da linguagem. Isso porque as pessoas aprendem a falar por meio da audição e algumas crianças surdas ficam mudas por causa da demora na detecção do problema.
Em Aracaju, o Teste da Orelhinha é feito em clínicas e maternidades particulares, mediante pagamento de em média R$ 100 ou por meio de planos de saúde. Mas, com a lei federal, passa a ser feito gratuitamente nas maternidades. ( quem pagou pede reembolso apresentando a nota fiscal, por cobrança indevida)
Desenvolvimento
0 a 3 meses - O bebê se assusta, chora ou acorda com sons intensos e repentinos. Reconhece a voz materna e procura a origem dos sons;
3 a 6 meses - O bebê olha ou mexe a cabeça para os lados procurando a origem do som, reconhece a voz materna e emite sons sem significado (balbucio);
6 meses - Localiza prontamente os sons de seu interesse e reage a sons suaves. O balbucio se intensifica e reconhece seu nome quando chamado.
9 meses - Localiza sons nas direções abaixo e acima da sua cabeça, intensifica o balbucio e brinca com a própria voz, repetindo suas emissões;
1 ano - O bebê quando solicitado, aponta e reconhece o nome de objetos e pessoas familiares, atende a ordens simples e começa a emitir as primeiras palavras. A partir dessa idade o desenvolvimento da linguagem é intensificado;
2 anos - O bebê usa sentenças simples combinando palavras e us a linguagem para se comunciar.
(Por Aldaci de Souza, fonte: Portal Infonet)